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 MENSAGEM DA PRESIDENTE, ​​PROF. ISABEL ERMIDA​​


​Qual a identidade do ILCH no âmbito da Universidade? Qual a sua missão? Aqui deixo uma nota, duplamente ontológica e axiológica, sobre o que são as Humanidades, para que servem e quais os valores que as guiam.

A força das Letras, Artes e Humanidades reside na sua função crítica e reflexiva sobre a totalidade da ação humana. Através de múltiplas perspetivas filosóficas, linguísticas, literárias e artísticas, as formas do agir humano sobre, e perante, a sociedade, a natureza e a vida são questionadas, equacionadas e postas em causa. Também o desenvolvimento científico e tecnológico exige a ponderação estratégica – ética e política – sobre o lugar onde se situam os homens e a mulheres no quadro das coisas.  Nenhuma Universidade o seria plenamente se apenas as tecnologias e as ciências empíricas e objetivas a constituíssem, muito embora esses dois domínios desempenhem um papel det​erminante no conhecimento e sejam áreas incontornáveis do progresso.

Importa lembrar que a vocação etimologicamente universal da Universidade implica também a afirmação de uma visão humanista da realidade e da vida. Esta é uma visão comprometida com o respeito pela dignidade humana, pela igualdade básica entre todos, pela tolerância das diferenças, pela liberdade, autonomia e solidariedade. As Humanidades e as Artes deverão, juntamente com a exigência de rigor intelectual e histórico que as marca, assumir também um compromisso ético em torno destes valores humanistas.

Que não nos enganemos: vivemos hoje, na Europa e no Mundo, tempos sombrios para os valores universalistas e humanistas que cabe à Universidade preservar. Essa é uma razão acrescida para multiplicarmos os nossos esforços e procurarmos maximizar o impacto social do nosso labor para além das paredes da Academia.

Por outro lado, face ao negativismo de tantos acontecimentos e fenómenos à escala mundial, impõe-se, também, uma afirmação dos valores estéticos e espirituais que as Humanidades assumem. “Fazer Arte” – na Literatura, no Teatro, na Música – é não só revisitar o reportório de experiências comuns da vida em sociedade, com os seus traumas e dores, mas também recriá-los a uma luz transformadora. Nesta dimensão, a criatividade artística e literária é, simultânea e paradoxalmente, interventiva e catártica: permite agir sobre o real, ao mesmo tempo que cria distância dele – uma distância libertadora. Em suma, é através dessa criatividade que se torna possível ao ser humano elevar-se acima do que é material e tangível, do que é opressivo e limitador. E é por isso, também, que a Universidade a deve defender e promover sempre. 



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